IBGE: NÚMEROS QUE FALAM

O IBGE divulgou os dados do censo agropecuário que acabou de realizar no Amapá. Os números fazem refletir. No Amapá, segundo o IBGE, têm 3.560 estabelecimentos rurais. É quase o mesmo tanto de 10 anos atrás, quando foram registrados 3.349 estabelecimentos. Passaram 10 anos, foram criados mais de 30 assentamentos e o IBGE só encontrou 211 estabelecimentos a mais. O INCRA, por sua vez, fala em mais de 10.000 imóveis rurais. Quem tem razão?

 

Os dois: o INCRA cadastra todos os imóveis declarados, o IBGE só registra os estabelecimentos onde tem alguma produção, mesmo que pequena. Isto quer dizer que, no Amapá, segundo o IBGE, de cada três terrenos, dois não produzem coisa nenhuma. Seria a comprovação do já denunciado fracasso dos assentamentos, apesar dos mais de 100 milhões de reais investidos neles?

 

Outro dado importante: dez anos atrás, os estabelecimentos produtivos ocupavam uma área de 700.000 hectares. Hoje a área ocupada é quase o dobro: 1.375.424 hectares. Se não aumentaram os estabelecimentos, mas aumentou a área ocupada, quer dizer que no Amapá, aumentou a concentração fundiária: pouca gente tem terra demais.Será que, pelo menos, nestes dez anos, aumentou a produção?

 

Diminuiu a mão-de-obra: de 16.660 passou para 13.131 trabalhadores: 1 sobre cinco trabalhadores perdeu o emprego. E não foi porque aumentou o uso das máquinas. Por incrível que pareça, nestes últimos dez anos, diminuíram, também, os tratores: passaram de 150 para 90: quarenta por cento a menos. As pastagens aumentaram 76 por cento, mas, mesmo assim, temos o mesmo número de bois, de porcos, de ovelhas de 10 anos atrás. Só os búfalos, em dez anos, aumentaram 20% e as cabras aumentaram quase 80%: cerca de 560 a mais, mas produzimos 31.000 frangos a menos.

 

Caiu demais a produção de leite e de ovos: produzimos só 5% do leite de búfala que produzíamos em 1996; produzimos menos de 20% do leite de vaca e dos ovos de galinhas produzidos 10 anos atrás. As terras de lavouras mais que triplicaram e, por isso, tivemos um bom aumento na produção de grãos: produzimos três vezes mais arroz e cinco vezes mais milho. Aumentou bastante, também, a produção de mandioca e de feijão. A produção de banana bateu o recorde: quase sete vezes mais do que em 1996.

 

Quase 60% da área dos estabelecimentos, segundo o IBGE é de floresta: mais de 800.000 hectares. O extrativismo, porém, diminuiu. Estamos produzindo menos açaí, menos castanha-do-pará e muito menos palmito. Só aumentou a produção de carvão e mais que dobrou a produção de lenha e de madeira em toras: quase 260.000 metros cúbicos. Nada que se compare com os quase dois milhões de metros cúbicos de madeira para a produção de celulose e de papel. Aqui estão os dados. O governo e a sociedade precisam saber para poder gerar um verdadeiro desenvolvimento do estado.

 

Sandro Gallazzi – CPT



Escrito por Márcia Corrêa e Ana Girlene às 19h24
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PF faz buscas na casa do empresário Eike Batista

Alcinéa Cavalcante

Marina Mello

Direto de Macapá e Brasília

 

A Polícia Federal cumpre, nesta tarde, mandado de busca e apreensão na casa do empresário Eike Batista, no Rio de Janeiro. A PF investiga a possibilidade de fraude em licitação por parte do empresário para realizar a obra da estrada de ferro do Amapá, que liga os municípios de Serra do Navio e Santana e é responsável pelo transporte de minério do interior do Estado para o porto de Santana às margens do rio Amazonas.

 

Uma empresa que pertence a Eike Batista, do grupo MMX, foi a que venceu o processo licitatório e, segundo a PF, há fortes indícios de fraude nesta licitação. As buscas fazem parte da Operação Toque de Midas deflagrada hoje pela polícia no Amapá onde são cumpridos outros 12 mandados de busca e apreensão.

 

A polícia Federal informou que foram encontrados indícios de direcionamento da licitação para que as empresas do grupo MMX vencessem a concorrência. O direcionamento se daria com o ajuste prévio de cláusulas favoráveis às empresas do grupo MMX, principalmente as referentes à habilitação dos participantes no procedimento licitatório, afastando, dessa forma, demais interessados na concessão da estrada de ferro.

 

A concessão foi obtida pela empresa Acará Empreendimentos Ltda., perante o governo do Estado do Amapá, sendo posteriormente repassada à MMX Logística Ltda., ambas do mesmo grupo econômico. Parte do grupo MMX foi vendido para a mineradora Anglo American por US$ 5,5 bilhões.

 

De acordo com a Polícia Federal, a investigação apura o possível desvio de ouro lavrado nas minas do interior do Estado, havendo fortes suspeitas de que o minério não esteja sendo totalmente declarado perante os órgãos arrecadadores de tributos, principalmente a Receita Federal.

 

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Escrito por Márcia Corrêa e Ana Girlene às 19h22
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